ESCOLA NORMAL
Outra geração de alunas se faz presente hoje , através de ANA CRISTINA( BIRSCHAL TELES) DE OLIVEIRA MELASIPO, ALIÁS, casada com um dos mais queridos alunos da escola José Mauro Melasipo.
Ela conta, graciosamente, como foi seu tempo de estudante e como conheceu "o melhor baterista do CAIXA DE GUERRA" de seu tempo...
Simpatia e leveza: as marcas do texto da Cristina.
Entrei na 5ª. Série do 1º. Grau através do Exame de Admissão, para tal estudei muito com meus pais, que na época eram professores no Ginásio Dorense e na própria Escola. Fiz também uma espécie de curso com professores que davam aulas particulares. Foi uma época de expectativa em minha casa, pois a concorrência a esta vaga era grande.
Entre outras lembranças... Cristina conta:
Foram oferecidos na Escola prêmios de 1º., 2º. e 3º. lugares
para o aluno que fizesse melhor pesquisa sobre a vida do Dr. Francisco Campos.
Passei horas e mais horas empenhada nesta tarefa. E, com a ajuda de
meu tio Guaraci, que era advogado e grande admirador de nosso conterrâneo,
acabei por merecer um dos prêmios. Como fiquei feliz!
Tenho boas recordações dos problemas de matemática que D. Adélia e
depois o Prof. Sides passavam no quadro.Os dois primeiros alunos a resolvê-los ganhariam ponto- como isto fazia a turma estudar e aprender a raciocinar com rapidez!
D. Rosa Moura, professora de história, ensinando sobre os portugueses: eram hábeis navegadores.
E a pesquisa sobre Tiradentes e Inconfidência Mineira?
Escrevi páginas
e mais páginas, a história da luta pela liberdade me fascinava!
Acho - até hoje - que estas longas páginas copiadas de livros me
ensinaram muito a escrever, pois me lembro de ter poucos erros de português, que não é
uma língua fácil, quando entrei na 1ª. Série.
.
Aulas na Biblioteca – a biblioteca tinha acervo considerável, livros de
clássicos brasileiros, literatura infantil, enciclopédias para pesquisas e
outros.
Eu adorava aula vaga, pois este espaço era preenchido na biblioteca.
Desde pequena gostei de ler e quando cheguei à Escola Normal, confesso
que fiquei maravilhada.
Podíamos levar um livro para casa e renová-lo toda semana até terminar
a sua leitura. Assim, li clássicos com José de Alencar, Machado de Assis e
outros.
Aproveitei muito a biblioteca e de lá ainda guardo uma frase: “Um país
se faz com homens e livros” (Monteiro Lobato).
Alunas-mestras: não fui aluna-mestra, mas quando tínhamos a honra de
recebe-las em nossa sala de aula, eram dias de glória. Todo mundo caladinho e
comportado, prestando muita atenção nas professoras.
Auditórios: foi um espaço que aproveitamos pouco, mas minha formatura de 8ª.
série (1971) foi no auditório com todas as honras que a ocasião merecia.
Teatrinhos: não cheguei a fazê-los, pois no Curso Científico o currículo
escolar era um pouco diferente das normalistas.
Merendas: comprávamos merenda na janelinha da D. Maria do Paulo, pastéis
fritos na hora, que delícia! Tinha também a merenda da escola, bolo de fubá,
que era muito sadio e forte.
Horas Cívicas: como eram valorizados o patriotismo e o civismo. Semana da
Pátria, Aniversário da Cidade e da Escola, entre outras datas, eram comemoradas
em grande estilo.
Cantávamos o Hino Nacional na porta da Escola, ouvíamos palestras,
jograis, discursos e explicações sobre a importância de cada data. Horas
cívicas devem e precisam existir, reavivam o patriotismo e o civismo. E as
“paradas”, comemorando estas datas importantes! Todas com uniforme de gala, fanfarra, a melhor do mundo!
D. Branca, posso confessar um
segredo? Foi na fanfarra que descobri o melhor instrumentista de “caixa de guerra” de todos os tempos. Ele é hoje o meu marido José Mauro!
Nossa Escola recebia alunos de todas as classes sociais e de diferentes
raças, em proporção menor. A convivência entre os colegas era ótima.
Colegas: nos primeiros anos tínhamos turmas só femininas e só masculinas. Eu
achava isto muito “antigo”, logo depois passamos a ter salas mistas.
Fomos colegas e amigos para sempre.
Éramos cúmplices das peraltices da idade.
Uniformes: impecáveis, saia pregueada em azul marinho, camisa branca curta
com “cabeção” azul e gravata. Não tínhamos tempo de sentir calor com tanta
roupa, pois a nobreza do uniforme valia o calor!
Fitinha de cetim na gravata, fita vermelha, verde, branca...
E o uniforme de gala, como nós ficávamos lindas!
Camisa branca de manga longa, boina, luva, a meia era também branca.
Valia chamar o Manoelzinho para bater umas fotos que guardo com muito
cuidado até hoje.
Quando mudamos o uniforme pregueado para saia justa, D. Veva ficava nas
escadas olhando o comprimento das saias, estávamos no auge da minissaia!
O uniforme de educação física era de cor azulão, tecido de algodão e blusa
adaptada a uma sainha pregueada que depois mudamos para short e camiseta de
malha, modernizamos.
Aula de Educação Física: adorávamos, e eram dadas fora do horário das outras
aulas. Voltávamos na parte da tarde com o maior prazer. D. Noêmia Ribeiro
chegou com muitas novidades e modernidade. Ganhamos uma caixa de areia, barras
para atletismo, etc., até uma quadra nova, onde aprendemos a jogar vôlei,
basquete, entre outros jogos. Nesta quadra tinha dizeres em latim: “MENS SANA
IN CORPORE SANO”.
Sempre achei que o esporte aproximava e disciplinava os colegas.
As aulas de Educação Física dos meninos eram dadas pelo Professor Jaime,
começavam às 6:00 h (manhã). Eu levantava para arrumar café para meu irmão, que
saía com o prazer do mundo ao raiar do sol, rumo à nossa Escola.
A Escola representava papel importante na Sociedade. Grandes valores e muito
aprendizado seria o retorno para os jovens que tiveram a felicidade de poder
passar por lá. Era um lugar de valorização da vida, disciplina, educação e
crescimento, tanto no campo acadêmico quanto pessoal.
Uma certeza todos nós ainda temos: estudamos numa Escola de referência
regional e... porque não? até nacional.
Não sou normalista, mas fui estudar na Escola Normal com a certeza de que um
diploma de normalista tinha um grande significado, por que a jovem professora
era bem preparada, vinha de uma Escola com tradição, seriedade e austeridade.
Não faltava emprego na área de educação, em geral o ambiente de trabalho era
bom, sadio, apesar da grande responsabilidade que o cargo exige. Falava-se de
bons salários.
Recreios: eram alegres com participação de todos, sempre dava um tempinho
para o jogo de queimada com bola feita de meia ou tecido. Voltávamos para sala
de aula suadinhos...
D. Veva batia o sino e rapidamente todos estávamos assentados em nossos
lugares. Acabava aí a algazarra.
Aulas diferentes: ficava a cargo de cada professor. Apresentação de
trabalhos e pesquisas alegrava a sala.
Aproveitei muito a biblioteca e de lá ainda guardo uma frase: “Um país se faz com homens e livros” (Monteiro Lobato).
Todos estes fatos que relatei passaram pela minha juventude e muito contribuíram para minha formação acadêmica e pessoal.
Saí da Escola para muitas outras escolas, inclusive a da vida.
Tive a felicidade de me formar no 3º. Grau mais de uma vez, porém sempre com uma certeza, a base desta formação veio lá da Escola Normal, daqueles degraus que aprendi a subir ano a ano de convivência e muito estudo, sendo orientada por professores realmente sábios. Foi o que vivi e observei.
Fico por aqui. Sei que ainda tenho muito a dizer, porém não pretendo ser cansativa.
Louvo muito o trabalho cultural que esta equipe se propôs a fazer.
Como é bom ter um “feriadão” para encontrar os antigos colegas aqui em Dores e recordas o tempos da Escola...
Atenciosamente,
Ana Cristina
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