ESCOLA NORMAL.
Maria
Uma
das mais brilhantes professoras na área de Ciências da Escola Normal, LAURA MARIA DE ASSUNÇAO, teve sua formação
delineada dentro de nosso maior educandário. Lá estudou, lá foi professora amada pelos alunos – amada – em toda a extensão
da palavras: quer dizer, admirada, respeitada, ídolo da sua geração.
Aposentando-se
nova, ainda é nome de referência em nossa história da educação.
Sua
entrevista é recheada daquele olhar entendido/crítico, sincero, mostrando a
realidade da época em que trabalhou.
Obrigada, Laura! Todos nós a respeitamos com
exemplo de professora – daqueles que precisam ressurgir para que o ensino brilhe, como já brilhou
antes!
1
-Qual a matéria que você lecionava? Em que ano? Curso?
Lecionei
Ciências, Biologia e Química, de 1974 a 2002, 1º. e 2º. Graus, Fundamental e
Médio.
2
– O Professor era bem remunerado em sua época?
Não.
3
– Como o Professor era admitido à docência?
Contrato,
efetivação por tempo de serviço e concurso.
4
– Quem era o(a) Diretor(a)?
D.
Inês, Dr. Augusto, Ernando Lopes Cançado, Antônio Rodrigues, Ailton Matos e Ana
Maria Andrade (de 1974 a 2002).
5
– Quem era os(as) Inspetoras de Ensino?
Zita,
Landa, Célia Martins, D. Divina Santana, Dalva Nogueira e Iléria.
6
– Havia Cursos para os Professores se reciclarem? Onde? Quem os custeava?
Sim,
muito pouco. No princípio vinham de Divinópolis, custeado pelo Estado. Nunca
senti que era uma troca de experiência, era mais teórico, mais imposto. Depois,
às vezes, íamos a Divinópolis ou a cidades vizinhas, mas umas poucas vezes. Já
melhorou. Eram mais práticos e menos teóricos. Custeado pelo Estado.
7
– Como a disciplina era mantida?
Pela
habilidade e competência do professor.
8
– Quais as matérias formavam o Currículo?
-
no 1º. Grau: Português, Matemática, Geografia, História, Ciências, Desenho,
Moral e Cívica e Educação Física.
-
no 2º. Grau: Português, Matemática, Geografia, História, Química, Física,
Biologia e OSPB.
9
– Os pais participavam da vida escolar dos filhos? Como?
Sim.
Receber o boletim ou quando fazia indisciplina.
10
– Qual era a função social do Professor naquela época?
Educar,
passar os ensinamentos, prepara-los para o vestibular, concursos, etc. Como
aumentou a demanda de alunos, nem todos tinham condições de fazer
vestibular.
Na década de 90, fomos orientados a preparar o aluno para a cidadania. Frouxou
um pouco os ensinamentos das disciplinas. Acho que aí foi o grande fracasso.
Nem todos os professores estavam aptos para manejar isto.
“Prá senhora, D. Branca, eu conto: fechei os ouvidos
e mandei ver!”
11
– Como o trabalho do Professor era visto pela sociedade?
Com
ou sem matéria você deixa de ser cidadão? Em toda reunião eu brigava. E
continuo até o último dia de aula, arrojando conteúdos nos meus cidadãos.
12
– Havia jornais editados pela Escola?
Não,
nenhum.
13
– Havia salas-ambiente para algumas matérias: Música, Geografia, Área de
Ciências e um galpão equipado para as aulas de Educação Física. Fale sobre
eles, sobre sua importância no aprendizado.
Sim.
O laboratório e o museu. Usei muito estas salas-ambiente, como professora de
Ciências e Biologia.
Aulas
práticas muito ricas.
Havia
um galpão e uma quadra para Educação Física.
14
– Como era o Museu? Ele fazia parte específica das aulas ministradas?
O
museu era e ainda é muito bem equipado. Sim, usei muito nas minhas aulas de
Biologia.
A
Senhora sabe que este ano, eu me ATREVI, fui lá e o organizei
do meu jeito: Exigi tudo do bom e do melhor. Vai lá...
15
– Você tinha colegas de trabalho vindos de outras cidades? Quais eram eles? Que
matéria lecionavam?
Sim,
poucos.
Zulmira
- de Luz – Professora de Física
Jarbas
– de Luz – Professor de Química
Romano
Pirfo – de Belo Horizonte – Professor de História
Leamar
Gontijo – de Estrela do Indaiá – Professor de Matemática
16
– Como era a vida social da cidade naquele tempo?
Tranquila.
Aos poucos os jovens foram invadindo os barzinhos e o clube perdendo espaço
para as horas dançantes, bailes, jogar pingue-pongue, lugar de jogar conversa
fora.
17
– A Escola era elitista àquela época?
Não.
Mas... havia turmas A, B, C...
18
– Havia acesso de alunos de todas as classes sociais à escola?
As matrículas eram abertas a todos.
Havia
elitismo de raça, religião, etnia àquele tempo?
Sim.
20
– O Professor era bem remunerado em sua época?
Não.
21
– Como o Professor era admitido à docência? E o Diretor?
Contrato, CAT, efetivação, concurso (por ordem
cronológica).
Diretor – indicação política, escolha, votação
e finalmente eleição com prova e depois eleição (alunos maiores de 16, pais,
funcionários e professores. Não me lembro. Até 2002, quando me aposentei, não.
Hoje sei que há.
22
– Havia avaliação para o trabalho do Professor?
Não.
23
– Qual era o papel da Escola na Sociedade?
A
Escola era uma referência de formação e ensinamentos.
24
– Omiti alguma questão educacional que você julga importante para ser citada?
Qual?
O
valor da escola e do professor. Como a escola e o professor eram avaliados pela
sociedade.
25
– Relate fatos interessantes sobre a vida da Escola naquele tempo (perdas,
fatos pitorescos, relevante, únicos, vanguardistas, culturais, hilariantes,
prêmios, repercussão na cidade/estado/país, tudo o que julgar importante para
que o perfil de nossa Escola seja o mais fiel possível à sua importância).
-
Perdas:
.
O Curso de Magistério. O curso de Pedagogia seria hoje uma complementação.
“Aquele” Magistério faz falta.
.
Comemorações cívicas, os valores cívicos.
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Uniforme: como um orgulho.
.
Aula de Música.
.
Teatros – recitar poemas.
.
Respeito de um modo geral: - Bom dia, boa tarde, boa noite, até logo,
obrigado(a), vamos conversar, com licença. Isto tudo não caiu de moda.
-
Culturais:
.
Noite da Poesia, organizada pelo Professor Ailton.
.
Feira de Ciências, de cultura.
-
Prêmios:
.
Em 1999, o 1º. Prêmio Nestlé de Literatura – Concurso de Redação, prêmio
recebido em Brasília, com toda pompa, no Ministério da Educação.
.
Repercussão Nacional – Prêmio Nestlé.
.
Repercussão Estadual – 3º. e 4º. lugares, um trabalho sobre a planta Algaroba
Feira de Ciências, 1983 ou 1984, dirigido pela Professora Maria do Carmo
Giordani. Os alunos de 6ª. eram: Adriano (D. Jandira), Élisson (filho da
Dália), Carminha (do Saulo) e Núbia (Avanir).
.
Repercussão: Fabrício Rodrigues, geneticista da UFMG.
Ah!
E tantos outros. Sem falar naqueles que sem condições financeiras para
continuar os estudos, eu sei que brilham em nossos ensinamentos.
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